Eu olho pelo vidro embaçado da janela
Vejo a chuva caindo nessa noite cinzenta e negra
Sinto-me consumida ao seu agonizante e leve modo de jorrar suavemente
suas gotas sobre a calçada da noite áspera e remota.
Sinto a brisa leve em meu rosto como se um bando de mariposas
tivessem pousado nele.
Agora ao vidro embaçado da janela escancarada
Eu deixo cair as gotas de chuva sobre às palmas da minha mão
Como o toque leve de um beija-flor.
Mesmo a noite enraivecida não se empalideceu ao ver tal cena tocante
de alguém sentir a chuva sobre seus doces lábios grossos e levemente secos
Até que o toque suave e belo da Harpa de Horfeu acorda as nuvens tumultuadas
feito almas de pó.
Levantando também os lindos raios fulgurosos e acalentadores da estrela Sol.
Deixando o rosto da bela menina de lábios grossos, debruçada sobre a janela
Cheio de luz e ternura, como a bela que sempre foi.
(Isadora Carriconde Ribeiro)

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