Permita que eu participe desse espetáculo de constelações dos teus olhos
Que eu seja o teu astro rei, tua lua
Permita que eu me deite nua sobre teu peito e mergulhe meus olhos nos teus
Até virarmos poeira cósmica de estrelas, até as supernovas de nossas almas se fundirem
E virarmos nossa própria galáxia.
Permita que eu desnuda tua essência, que eu seja teu instrumento favorito
Para canções alegres ou tristes, românticas ou realistas
Permita que eu seja tela dos teus riscos, rabiscos, rascunhos, desenhos, pinturas
Que eu seja o papel e a tinta da tua poesia
Permita que eu seja teu vinho batizado por Dionísio
Para que bebas do meu leite e eu aceite o teu tal como Afrodite, ao brindar nosso prazer
Permita que eu penetre em tua pele como tatuagem
Que eu fale sacanagem em quanto beijo teu umbigo
Permita que eu seja pássaro, princesa, amante, namorada
Permita que eu seja teu tudo ou nada
Permita que o cheiro da minha alma se misture ao cheiro da tua, como incenso que perfuma nossa cama
Permita que eu guie tuas mãos sobre as curvas do meu corpo, que eu seja tua mulher, tua menina, aquela que te vicia nesse eterno ciclo do amor
Permita que eu seja teu cigarro e me fuma até o filtro, maço a maço, esse meu desembaraço de te escrever em cada traço, em cada passo dessa poesia
Sempre serás meu universo de planetas.