terça-feira, 29 de março de 2016

Chuva em minha alma.

Hoje o céu acordou cinzento, tempestuoso e bravo;
Mas a tempestade maior mora em meu coração;
As turbulências de meus pensamentos, tão barulhentos quanto os trovões;
Tão lamentosos quanto o som das gotas da chuva sobre a minha janela.

Hoje o céu acordou chorando, reclamando, bradando, rosnando;
Assim como meu corpo, ansiando pelo teu toque;
Por mais falsos que sejam teus sentimentos, eu sinto que muitas vezes necessito dessas belas mentiras perigosas.

Preciso dos teus dentes em minha pele, do sabor da tua língua;
Mas já que não posso mais te ter, fico aqui sozinha, olhando a tempestade que passa na janela da minha vida;
Estou aqui perdida em meus devaneios, ao som de Janis Joplin, julgando a vida e suas contradições.

Pensando nas doenças da alma, pensando no quanto tem sido difícil sair do meu mundo;
O mundo que criei para me sentir mais confortável e compreendida;
Um  mundo onde só me alimento de poesia e música, onde não há julgamentos ou amores para se preocupar;
É uma pena que esse mundo seja apenas uma linda mentira, uma doce ilusão;
É apenas a minha luta constante contra a solidão.


Velha Infância

As crianças e adolescentes de hoje jamais saberão como é viver sem internet;
Sem seus preciosos "tablets", "smartphones", "videogames";
Sem suas roupas de marca, suas comidas industrializadas, congeladas e embutidas;
Podem até ter nascido com uma "inteligência superior", mas não saberão o que é o amor pelos bailes infantis de carnaval;
Não saberão o que é comer fruta direto do pé, brincar descalço na terra, sorte de quem tiver essas oportunidades, pois assim saberão a plenitude de ser criança de verdade.

Na minha casa tinha um pé de goiabeira, no meu vizinho um pé de bergamota e um abacateiro;
Ah o quanto adocei minha alma com esses sabores, sem muitas vezes descascar e nem me preocupar em bem lavar por conta de inseticidas ou pesticidas;
Hoje uma fruta pode até matar, não se sabe se está comprando uma maçã ou objeto geneticamente modificado, sem gosto e sem a mesma suculência que escorria da boca.

Na minha infância brinquei de pique esconde, de pega pega, de salada mista,
Hoje grande parte da brincadeira é virtual, com jogos e pouco diálogo;
Felizes daqueles que ainda querem desvendar os prazeres da rua, de correr e brincar de ciranda;
Hoje os brinquedos da praça, que no meu tempo vivia cheia, têm suas partes enferrujadas pelo tempo, com quase ninguém a rodar ou andar de balanço.

No meu tempo não era necessário entender sobre sexualidade, se era menino e se era menina, as escolhas se faziam em mais tempo e nem por isso tornou-se um tormento para quem nasceu "diferente".

Hoje existem tantas crianças e jovens obesos, com problemas de adultos, pressão alta, açúcar alto, isso seria irresponsabilidade ou a comida que já não é mais a mesma ?;
Um pouco dos dois eu diria, pois muitos preferem o "Mc Donald's" do que o bom e velho arroz com feijão.

Hoje em dia poucos sabem o que é ir pra fora, para o campo, tomar banho de açude e correr com os "cuscos campeiros".
Ah que saudade da minha infância, posso dizer que fui plenamente criança, só hoje eu vejo o quanto era feliz e não sabia.