Rios correm dentro de mim;
Um medo me trava o riso;
O choro corre nos meus olhos;
A insegurança, a ansiedade;
Estou cercada de rostos por todos os lados nessa cidade, mas nenhum me parece amigo;
Todos passam carrancudos, frios e com pressa;
Não ligam para o meu grito sufocado de socorro;
Eu detesto a correria, a insensatez das cidades grandes ou médias;
O trânsito enlouquecido, buzinas, vozes praguejando;
"Sobe no ônibus, desce, sobe de novo", e assim a vida segue e passa e a gente nem percebe;
Viver é um perigo constante, como diz uma frase que tantas vezes ouvi "para morrer basta estar vivo", mas a questão é, será que estar vivo é estar vivendo ?;
Eu quero não ter medo de viver, não ter medo de morrer, remorso de morrer com aquele pensamento de não ter vivido;
Por isso não quero deixar que nada me abale, que nada me pare;
Se eu quiser gastar todo meu dinheiro numa máquina de escrever, eu irei, isso me dará muito prazer;
Afinal de contas por que eu irei guardar todo meu dinheiro?, para comprar um bom caixão quando morrer?, por mim podem me enterrar num buraco qualquer, meu corpo de nada mais valerá;
Se eu quiser apenas um bom bife num bom restaurante, então eu comerei;
Se eu quiser simplesmente sair por aí sem rumo, então eu sairei;
Se eu te quiser para sempre, então me dá o teu sim e eu não desistirei;
Serei eu mesmo, serei esse pássaro que não mais vai se satisfazer com um prato de alpiste e água, e um carinho de vez em quando;
Assim que abrirem a gaiola eu irei voar, pelos diversos céus, mares, montanhas, pintando minhas ideias, disseminando minha sede de viver, minha liberdade pelos ares, entrando em combustão, queimando até só sobrar o pó.

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